AS MÚSICAS DA CRUCIFICAÇÃO DE CRISTO

Publicado por admin em sex, 04/19/2019 - 11:34
No cinema, quando se trata de abordagem bíblica, notadamente envolvendo a figura de Cristo e mais especificamente para reproduzir uma atmosfera musical para a cena da crucificação, nem sempre é levada em consideração a utilização de instrumentos de época, o que vale é o sentimento de quem narra o episódio.

A música é tão velha como a humanidade, mas pouco se sabe sobre sua presença na Antiguidade. Existem muitas teorias, como a de um sábio chinês chamado Ling Lun, que viveu 2.500 anos antes de Cristo e que teria ordenado e sistematizado os cinco tons da música oriental, conferindo a cada um, o nome de uma classe social desde o camponês até o imperador. Na Grécia Antiga as peças musicais atraiam grande público e entre harpas, flautas e liras, preponderava muitas vezes a figura do coro. Mas e na época de Cristo que tipo de predominância musical existia naquele tempo ? Segundo a bíblia vamos encontrar uma gama diversificada de instrumentos desde o alaúde, cítara, pífaro e muitos outros. No cinema, quando se trata de abordagem bíblica, notadamente envolvendo a figura de Cristo e mais especificamente para reproduzir uma atmosfera musical para a cena da crucificação, nem sempre é levada em consideração a utilização de instrumentos de época, o que vale é o sentimento de quem narra o episódio. O compositor John Debney  por ocasião de seu trabalho para Mel Gibson em A PAIXÃO DE CRISTO, utilizou-se de instrumentos antigos como o “oud” que é um violão turco considerado uma espécie de príncipe dos instrumentos armênios. O “duduk” um instrumento de vento armênio um pouco semelhante ao clarinete, uma flauta de bambu, e o “erhu” uma espécie de violino chinês. Sua trilha acabou se transformando numa compilação de muitas aproximações estilísticas. Ele utilizou alguns dos músicos que participaram por exemplo, da trilha sonora de Peter Gabriel para o filme de Martin Scorsese, A Última Tentação De Cristo. Independente da ambientação de época da música, o mais importante está na sua funcionalidade quanto a reforçar o impacto de uma cena como a crucificação de Cristo. O estilo da música vai depender da própria característica musical do compositor, assim como o papel e realce da música vai depender da vontade do diretor do filme. A título de ilustração, vamos mostrar três momentos musicais para a cena da crucificação de Cristo, em produções de época distintas. O primeiro exemplo é de 1977 com o filme de Franco Zeffirelli, JESUS DE NAZARETH com a trilha sonora composta pelo francês Maurice Jarre que dentro da sua característica musical procurou dar ênfase na percussão e metais, sendo que as cordas complementam para movimentar a alavanca da emoção. O outro exemplo já mencionado é do trabalho de John Debney para A PAIXÃO DE CRISTO de 2004, que em função da própria ortodoxia do diretor Mel Gibson, tratou de conferir um ar mais cristão a trilha. Por fim, o terceiro exemplo que é do filme do australiano Garth Davies, MARIA MADALENA com trabalho em parceria do saudoso Jóhann Jóhannsson e sua compatriota Hildur Guðnadótti. Esta produção inovou principalmente pelo viés feminista sobre a paixão de Cristo. Afinal, Madalena  ganhou ênfase no avanço do legado de Cristo e a narrativa está focada justamente na visão dessa personagem feminina. Já a música, dentro da característica musical de Jóhannsson e Guðnadótti também procura ser fiel ao próprio olhar de Madalena, o que confere a atmosfera musical uma distinção rigorosamente notável de outras propostas musicais focadas na cena da crucificação de Cristo.