O ESTRANHO QUE NÓS AMAMOS(2017).

Publicado por admin em dom, 10/22/2017 - 10:57
O ESTRANHO QUE NÓS AMAMOS FILME DE SOFIA COPPOLA.

A bailarina norte-americana Isadora Duncan cunhou uma frase que diz: “Os pensamentos das mulheres originam-se no abdome e dirigem-se para cima, ao passo que o pensamento dos homens se originam na cabeça  e dirigem-se para baixo”. Resumidamente isso poderia explicar a máxima extraída do novo filme de Sofia Coppola “O Estranho Que Nós Amamos”. O filme baseado no livro de Thomas Cullinan e roteirizado pela própria cineasta Sofia Coppola mostra McBurney (Collin Farrell) um oficial ferido em plena Guerra Civil Americana que é resgatado da floresta por meninas de uma escola sulista, onde se vê na condição de prisioneiro na sala de música da mansão. Num ambiente essencialmente feminino, onde os tecidos e as roupas se destacam a única presença masculina pode estimular instintos adormecidos. A cineasta revela muita competência, sobretudo no trabalho que promove por meio da iluminação, pois as velas acabam referenciando o próprio curso das emoções que tomam conta dos personagens, quanto mais sombrio, mais inquietante o golpe resolutório do filme. Nicole Kidman interpreta a tutora Martha, mas quem rouba a cena é a Edwina (Kirsten Dunst) , cuja expressão dispensa qualquer palavra. A atmosfera feminina é ressaltada por meio da adaptação que Phoenix promoveu da obra “Magnificat”do italiano Cláudio Monteverdi. Enquanto isso, a música de background foi realçada através do trabalho da compositora Laura Kapman que praticamente poderia ser considerada da família Coppola, pois trabalha tanto com a filha como com a própria mãe de Sofia a cineasta Eleonora Coppola. A música de cena garantida pela presença de um piano, quando as meninas tem aula de canto, com destaque para a obra de Joseph Webster “Lorena”.

Se a conversa silenciosa dos personagens centrais da trama McBurney e Edwina conferem certa monotonia ao filme, por outro lado a capacidade da cineasta Sofia emerge ao extrair situações que revelem como a prática da compaixão, muitas vezes pode levar a aprender muito mais em termos de sentimentos.