JUDY: MUITO ALÉM DO ARCO-IRIS

Publicado por admin em dom, 01/12/2020 - 09:10
O papel de Judy não poderia ser interpretado por qualquer atriz. Teria que ser alguém já testada e comprovada e com habilidade não só no campo das artes cênicas, mas também no cenário musical, tendo coragem para soltar a voz. Nesse sentido, uma escolha perfeita foi da atriz Renée Zellweger, pois se em CHICAGO, ela não se intimidou e soltou a voz cantando, em COULD MOUNTAIN, ela soube expressar toda uma carga dramática.

Mais importante do que saber como terminou a carreira da atriz e cantora Judy Garland, é saber como começou. Ela era uma pré-adolescente, quando surge ao lado de outros pequenos notáveis como Mickey Rooney e Deanna Durbin em 1930. A partir da década de quarenta, com o exílio forçado para muitos psicanalistas que fugiam do nazismo, mais de duzentos chegaram aos Estados Unidos. Nessa época foi formado o Grupo de Estudos Psicanalíticos de Los Angeles. Dentre muitos, estava Ernst Simmel, um dos fundadores do Instituto Psicanalítico de Berlim. Foi ele que atendeu Judy Garland, que começava a apresentar distúrbios de comportamento. O dramaturgo britânico Peter Quilter, escreveu MUITO ALÉM DO ARCO-IRIS para o teatro, viu sua peça alcançando enorme sucesso em mais de vinte países, até chegar aos palcos da Broadway em 2012. A partir desse momento, já se começou a pensar numa adaptação cinematográfica do texto e o convidado para dirigir foi alguém que também tinha grande experiência no teatro. Surgiu então, o cineasta inglês Rupert Goold que teve a chance de dirigir o seu segundo longa metragem para o cinema. Nasce então o longa metragem, JUDY: MUITO ALÉM DO ARCO-IRIS, que começa mostrando o “apogeu da lona” da cantora e atriz Judy Garland, que na sua trajetória artística com 40 filmes, colecionou momentos de glória e fracasso. Foram cinco casamentos fracassados, com três filhos, desses a filha de peixe acabou ficando por conta de Liza Minnelli. No final da carreira, ela tenta ainda um último golpe de sorte, ao ser contratada para a realização de um show de cinco semanas em Londres. Esta seria a oportunidade para ela juntar o dinheiro suficiente para pagar suas dívidas e reaver a guarda dos dois filhos mais novos, cujos direitos era do antepenúltimo marido, Sid Luft. Nessa última etapa de vida, Judy Garland luta contra os sérios problemas de saúde, sua dependência medicamentosa e principalmente com os fantasmas do passado que insistiam em povoar a sua solidão. Numa narrativa binária, o filme mostra cenas do passado, que se confrontavam com o presente de Judy. O papel de Judy não poderia ser interpretado por qualquer atriz. Teria que ser alguém já testada e comprovada e com habilidade não só no campo das artes cênicas, mas também no cenário musical, tendo coragem para soltar a voz. Nesse sentido, uma escolha perfeita foi da atriz Renée Zellweger, pois se em CHICAGO, ela não se intimidou e soltou a voz cantando, em COULD MOUNTAIN, ela soube expressar toda uma carga dramática. Não só pela magnífica construção das suas cordas vocais, mas pela capacidade de incorporar os gestos e a expressão de uma artista que soube esculpir o espaço que lhe pertencia, como foi Judy Garland. Na comprovação da qualidade da sua interpretação, Renée Zellweger faturou o Globo de Ouro de melhor atriz dramática, essa foi apenas a abertura da porteira, para uma manada de prêmios que deve acontecer. Além das inspiradoras canções interpretadas por Renée Zellweger, vale o registro para a parte instrumental da trilha, confiada ao competente compositor libanês, Gabriel Yared. Com a mesma sensibilidade que caracterizou outros soberbos trabalhos como, CAMILE CLAUDEL, O AMANTE, O PACIENTE INGLÊS, A VIDA DOS OUTROS , POSSESSÃO e muitos outros, a música de Gabriel Yared ,em nenhum momento, procurou roubar os méritos das cenas, mas contribuiu para reforça-las e ainda mover aquela sensível alavanca da emoção. O filme entra em exibição no Brasil no dia 16 de janeiro.

No arquivo de áudio você poderá ouvir o tema principal de JUDY: MUITO ALÉM DO ARCO-IRIS composição de Gabriel Yared.