A FUNÇÃO DA MÚSICA- PARTE 2

Publicado por admin em qui, 03/08/2018 - 03:55
Um compositor da atualidade que se enquadra perfeitamente bem nesse contexto de abordagem é Mark Isham. Poderíamos enumerar uma série de trabalhos em que o enquadramento da música de Isham assume inteiramente um papel marginal como em A MORTE PEDE CARONA de 1986 ou ainda O REVERSO DA FORTUNA de 1990.

A música desde há muito deixou de ser apenas um acessório ou simplesmente mais um componente da produção cinematográfica. A música passou a ter um valor bastante concreto, principalmente quando a música passa a ser uma perspectiva intimamente relacionada ao roteiro do filme. Existem vários gêneros e tipos de trilhas como aquelas que não querem concorrer com as cenas, não pretendem passar mensagens dos personagens, mas simplesmente se postam como acompanhantes quase oculto da cena. A esse tipo de trilha convencionamos chamar de “marginal”, já que todos os méritos ficam com a cena, sendo que em muitos casos, a música passa quase que desapercebida do grande público. É aquela história, se você pergunta para o amigo se gostou da música do filme, ele responde: que música? Quando isso acontece normalmente temos uma trilha marginal cujos acordes estão perfeitamente ajustados às cenas, ficando a música num plano secundário. Giovanni Fusco foi o nome mais ilustre a promover trilhas marginais, ele trouxe um panorama totalmente moderno para a música no cinema, indiscutivelmente um músico vanguardista. As trilhas de Giovanni Fusco para o cineasta Michelangelo Antonioni mostram muito bem a forma como a sua trilha marginal, se colocava inteiramente a serviço da cena, como em A AVENTURA, O ECLIPSE e ainda em DESERTO ROSSO – O DILEMA DE UMA VIDA. Um outro trabalho com o evidente papel marginal foi o clássico dirigido pelo francês Alain Resnais HIROSHIMA MEU AMOR de 1959.

Um compositor da atualidade que se enquadra perfeitamente bem nesse contexto de abordagem é Mark Isham. Poderíamos enumerar uma série de trabalhos em que o enquadramento da música de Isham assume inteiramente um papel marginal como em A MORTE PEDE CARONA de 1986 ou ainda O REVERSO DA FORTUNA de 1990. Poderíamos então citar o seu trabalho mais recente que foi a trilha sonora para o filme O CONTADOR do diretor Gavin O’Connor. O tema minimalista título composto por Mark Isham se funde perfeitamente com as cenas, cedendo todos os méritos e o espectador acaba embalado no ritmo da música, não percebendo a própria importância da mesma na condução do ritmo da narrativa.