THE SQUARE: A ARTE DA DISCÓRDIA.

Publicado por admin em dom, 01/28/2018 - 01:02
O cineasta Ruben Östlund ganhou a Palma de Ouro e o seu filme THE SQUARE: A ARTE DA DISCÓRDIA  que foi indicado ao Globo de Ouro deste ano e ainda concorre ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro 2018.

Esse é o titulo do novo filme do cineasta sueco Ruben Östlund, que costuma respeitar um intervalo regular entre um filme e outro para não ser contaminado pela escala industrial de produção o que contribui para conferir qualidade ao que faz. É dele o instigante filme FORÇA MAIOR de 2014. Em tempos onde a exposição do Santander rendeu muita polemica entre questões sociais e morais no Brasil, eis que o novo filme de Östlund a partir de uma exposição também nos instiga a pensar que talvez a sociedade esteja precisando de um novo contrato social. Impossível até mesmo pelos temas abordados em seus filmes, não perceber uma certa influência de Bergman nos filmes de Östlund. Aliás uma frase do próprio Bergman serviria para se enquadrar no contexto desse novo filme. Segundo Bergman: “Nossas relações sociais são limitadas, a maioria do tempo, a fofocar e criticar o comportamento das pessoas. Esta observação lentamente empurrou-me para o isolamento da chamada vida social.” O filme nos mostra o quanto somos cada vez mais individualistas e também o quanto perdemos o senso de solidariedade, com isso culpamos sempre o outro por um problema que muitas vezes poderia ser resolvido de forma conjunta. O filme nos oferece várias metáforas, como por exemplo, um quadrado feito no chão e o ser inserido nele. Muitas vezes as pessoas pensam apenas no seu quadrado e perdemos o senso gregário por exemplo das formigas, com nos lembra muito bem o filósofo galês Bertrand Russell. O filme foca sobre a figura de Christian, o curador de um museu de artes que de repente é vítima de  um furto do seu celular e a carteira. Este fato vai ensejar uma série de situações que serão de fundamental importância para uma reflexão sobre o seu modo de ser, arrogante, preconceituoso e do seu próprio status social. O filme nos provoca com outras situações, como por exemplo do reflexo que uma performance artística pode ter no comportamento das pessoas. Aqui no Brasil sabemos muito bem pela experiência quanto a polêmica desencadeada pela exposição do Santander. No filme, um artista russo faz uma performance audaciosa, provocando e interagindo com a plateia. Mas também o filme nos move a refletir sobre a invisibilidade social, por exemplo, provocada pela questão da mendicância. Enfim, este filme assim como uma exposição de artes é um amplo painel social que expõe as misérias humanas tanto no quadrado existente entre cada um de nós, como até mesmo quando somos atingidos pelas mídias sociais. Quanto a trilha sonora, o mais interessante, no entanto, é notar uma música que serve de tema principal e trilha sonora predominante na produção que é a Ave-Maria  (Charles Gounod e J. S. Bach) . Qual seria a intenção desse uso? Primeiro, que a Ave Maria possui várias versões e uma associação a arte multimídia. Segundo, na condição de uma oração universal justamente nela está inserida a própria história e sentido da nossa salvação. Uma das interpretações da Ave Maria no filme, simplesmente impecável conta com as participações do violoncelista Yo Yo Ma e do vocalista Bobby McFerrin

O cineasta Ruben Östlund ganhou a Palma de Ouro e o seu filme THE SQUARE: A ARTE DA DISCÓRDIA  que foi indicado ao Globo de Ouro deste ano e ainda concorre ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro 2018.