A FAVORITA

Publicado por admin em seg, 02/11/2019 - 17:21
O desempenho da atriz Olivia Colman como a Rainha Ana em A FAVORITA, foi como diríamos na corte, majestoso, na bolsa de apostas é cotada para o Oscar, mas tem concorrência acirrada com Glen Close.

Quando o cineasta grego Yorgos Lanthimos resolveu trocar a sua Atenas por Londres, ele estava convencido que esta mudança poderia contribuir para irromper suas ideias e concepções sobre o que ele queria em termos cinematográficos. A história de A FAVORITA é extremamente interessante, desafiadora e atual, pois mesmo a história se passar em pleno século XVIII, a mesma sobre determinados aspectos aborda assuntos da atual conjuntura, tanto no âmbito de costumes, mas sobretudo do âmbito político principalmente quando se refere aos efeitos colaterais da luta pelo poder. As contendas da Rainha com o Parlamento já eram acirradas tanto quando o assunto era sobre conflitos armados e aumento de impostos. Naquela época era a Rainha Ana que enfrentava os parlamentares, enquanto sua conselheira e amante Lady Sarah era uma espécie de Primeira-Ministra sem pasta. O humor negro utilizado no filme, muitas vezes passa a ideia de ser apenas algo para inglês ver. O desempenho da atriz Olivia Colman como a Rainha Ana em A FAVORITA, foi como diríamos na corte, majestoso, na bolsa de apostas é cotada para o Oscar, mas tem concorrência acirrada com Glen Close. Como o cineasta Lanthimos é daqueles que procura contar a história de forma um pouco além do que o roteiro estabelecia, logo, a adoção de um método de narrativa binária, muitas vezes pode confundir o espectador. Na realidade em seus filmes, Lanthimos empreende uma espécie de voo sobre diferentes superfícies. Não por acaso, ele colocou na trilha sonora do filme a canção Skyline Pigeon de Elton John, que é um cantor que goza da simpatia da atual Rainha Elizabeth da Inglaterra. A propósito da trilha sonora, assim como  Lars Von Trier, Lanthimos parece ter uma certa relutância em utilizar música originalmente composta em seus filmes. Desta maneira ele selecionou um repertório quase que exclusivamente erudito com obras de Haendel, Purcell, Vivaldi, Bach e Schubert. A única peça da trilha sonora de A FAVORITA que retorna como se fosse tema é a Sonata Nº21 de Franz Schubert “Andante Sostenuto” com o pianista Artur Schnabel. 

O cineasta Lanthimos tem buscado através de seus filmes, ser extremamente original, mas nesse sentido não vale ser apenas diferente, tem que fazer as coisas melhor. Bem por isso, o filme A FAVORITA pode nem ser tão favorito assim.