RELIGIÃO E CINEMA 3

Enviado por admin em sab, 03/31/2018 - 08:59
Na década de 70 tivemos O ÚLTIMO TANGO EM PARIS, que para a igreja católica se constituiu numa das maiores afrontas aos padrões éticos e de bons costumes, sacudindo os alicerces do catolicismo mundial.

Dentro da cinematografia não havia tema mais incômodo para o clero do que falar sobre a Santa Inquisição. Centenas de filmes foram produzidos, inspirados pela Inquisição, sendo que a cada nova produção aumentava a sensação de desconforto da matriz católica. Carlo Ponti, outro da lista negra da igreja produziu em 1973 GIORDANO BRUNO, filósofo, astrônomo e matemático que depois de ter feito várias descobertas, nega-se a abjurar de tais idéias, sendo queimado vivo por ordem da Santa Inquisição. O papel de Giordano Bruno foi interpretado magnificamente por Gian Marie Volonté. A trilha sonora composta por Ennio Morricone que consegue imprimir ao mesmo tempo um cunho erudito, com o tema principal como se fosse uma espécie de “adagietto”.

Mais tarde em 1977 foi a vez de Luigi Magni cutucar a igreja através de EM NOME DO PAPA REI, a história de três rebeldes das tropas de Garibaldi que são presos e julgados por um tribunal que guardava as mesmas características da Santa Inquisição, só que um dos condenados era fruto de um amor proibido entre uma condessa e um cardeal. No papel de cardeal uma atuação verdadeiramente insuperável de Nino Manfredi. A trilha sonora foi composta por Armando Trovaioli.

Na década de 70 tivemos O ÚLTIMO TANGO EM PARIS, que para a igreja católica se constituiu numa das maiores afrontas aos padrões éticos e de bons costumes, sacudindo os alicerces do catolicismo mundial. Onde quer que fosse exibido o filme era precedido de muita polêmica e na maioria dos casos houve até embargo judicial, visando proibir a exibição do filme.  A TV Bandeirantes teve problemas com a justiça para exibir o filme nos anos oitenta, tudo por causa da ação da Diocese de São Paulo. O diretor Bernardo Bertolucci só foi absolvido pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood em 1988 quando da premiação do seu filme O ÚLTIMO IMPERADOR. A trilha sonora do filme O ÚLTIMO TANGO EM PARIS foi composta pelo argentino Gato Barbieri que conquistou o Grammy e com isso enorme prestígio.