A FUNÇÃO DA TRILHA 7

Publicado por admin em seg, 03/12/2018 - 20:05
Também quem é chegado numa trilha adaptada é Woody Allen lançando mão de George Gershwin em MANHATTAN de 1979.

A trilha adaptada pode ser entendida como aquela não original, mas que normalmente acaba se utilizando de um repertório bastante amplo. Um dos primeiros exemplos desse gênero de trilha pode ser a trilha sonora do filme de 1938, cujo repertório foi recheado por composições de Irving Berlin como “Easter Parede”, “Blue Skiss”e muitas outras. Inc.usive nesse ano o compositor Alfred Newman levou o Oscar com este filme, pelo fato dele ter sido o responsável pela seleção do repertório. Em 1939 tivemos uma outra trilha adaptada por ocasião do filme de western NO TEMPO DAS DILIGÊNCIAS, mas desta feita a adaptação partiu de músicas do folclore americano. Temos ainda a situação em que a trilha sonora  acaba adaptada a partir de músicas eruditas, como foi o caso de Stanley Kubrick por ocasião do filme 2001:UMA ODISSÉIA NO ESPAÇO, quando a trilha original foi rejeitada, em detrimento do repertório selecionado por Stanley Kubrick contando ainda com algumas sugestões de sua esposa Christiane. Kubrick em LARANJA MECÂNICA  e BARRY LYNDON foi de trilhas adaptadas de Beethoven a Haendel.

O filme de Luchino Visconti de 1971 MORTE EM VENEZA, teve a trilha estruturada com músicas de Gustav Mahler e que foram escolhidas pelo próprio cineasta. Aliás, Luchino Visconti já tinha a intenção de utilizar as músicas de Mahler a partir do seu filme OS DEUSES MALDITOS de 1969, mas por imposição dos produtores ele teve que aceitar o nome do francês Maurice Jarre. Então em MORTE EM VENEZA, ele pode optar por uma trilha adaptada a partir das obras de Mahler, utilizando fragmentos de três sinfonias do compositor austríaco respectivamente a quinta, sexta e sétima sinfonias.

Também quem é chegado numa trilha adaptada é Woody Allen lançando mão de George Gershwin em MANHATTAN de 1979. Enveredou pelos eruditos em SONHOS ERÓTICOS DE UMA NOITE DE VERÃO com Mendelssohn, HANNA E SUAS IRMÃS com Bach, UM MISTERIOSO ASSASSINATO EM MANHATTAN com Schubert e com as canções de época para A ERA DO RÁDIO e mais recentemente em RODA GIGANTE.

Também Martin Scorsese ao mesmo tempo que privilegia trilhas originalmente compostas, não despreza as adaptadas como ILHA DO MEDO, com uma salada musical que vai de Mahler e Ligeti passando por John Cage, Penderecki até Brian Eno.

Quentin Tarantino de cara em CÃES DE ALUGUEL já optou por trilha adaptada. Com KILL BILL I e II trilha adaptada com inspiração no  spaghetti-western como também em DJANGO para só em OS OITO ODIADOS partir para a primeira trilha originalmente composta por Ennio Morricone.

Como muito bem pontuou o compositor Franz Waxman: “a trilha sonora não pode ser reconhecida como sinfonia e muito menos como poema sinfônico, como também não é sonata. Antes de tudo isso é bom observar que a trilha não se prende a dois ou mais andamentos bem definidos. Sua composição parte da imagem fílmica. Um filme é composto de trechos musicais que são medidos em segundos ou minutos. “

Quando um cineasta não acredita nessa capacidade que a música original pode cumprir no seu filme, naturalmente ele continuará utilizando como recurso a trilha adaptada nos mais distintos gêneros musicais.