ENTRE DOIS AMORES- (1985)

Publicado por admin em ter, 10/03/2017 - 14:44
Trilha sonora original do filme Entre Dois Amores composta por John Barry

A música composta por John Barry merecidamente ficou com o Óscar e Globo de Ouro de melhor trilha original. John Barry é daqueles compositores que não se intimidava ao trocar ideia com o diretor sobre um determinado aproveitamento de uma música, para uma determinada cena. Aliás, a relação diretor e compositor sempre foi objeto de muita especulação e polêmica. Muitos acham que o diretor tem controle absoluto sobre tudo que acontece no filme, mas, na parte musical, o compositor, como John Barry, sempre teve certa autonomia, mas nunca descartou a colaboração do diretor quanto a uma ideia de como aproveitar uma música. Por exemplo, em ENTRE DOIS AMORES, uma determinada cena estava intrigando o diretor Sydney Pollack, nesse instante, Barry conseguiu captar exatamente o que o cineasta pretendia, o trabalho funcionou perfeitamente bem. Trata-se da cena em que os dois personagens principais estão no coração da África e o compositor John Barry teve a grande sensibilidade em utilizar o magnífico “Concerto para Clarinete” e “Orquestra de Mozart”, num dos momentos mais sublimes do filme, quando o som emana de um toca discos. Veja, o toca discos foi um recurso articulatório importante no sentido de contribuir para introduzir a música na cena. A rigor, ao longo da história da música no cinema, iremos encontrar algumas dezenas de exemplos em que isso acontece, seja pela presença de um toca discos, como em Entre DOIS AMORES, seja através de um instrumento musical, como aconteceu em PAI PATRÃO com o personagem portando um acordeão ou ainda como em ATLANTIC CITY, quando a personagem, interpretada por Susan Sarandon, liga o rádio com o sentido de tentar povoar a sua solidão.

O tema de abertura de ENTRE DOIS AMORES já prenuncia alguns aspectos importantes que serão confirmados durante a narrativa. O primeiro deles, diz respeito ao fato de que poderemos, pelos maravilhosos acordes da composição de John Barry, esperar uma fotografia pictórica. O fotógrafo David Watkin havia demonstrado seu talento em produções como JESUS DE NAZARÉ, CARRUAGENS DE FOGO, AMOR SEM FIM, O SOL DA MEIA-NOITE e outras produções. Seguramente, a música de John Barry contribuiu para sonorizar de forma exuberante a materialização de uma África narrada pela escritora dinamarquesa Isak Dinesen, que foi o pseudônimo adotado por Karen Blixen.

As planícies do Quênia temperadas pela música de John Barry assumem uma beleza singular nesta superprodução.