A PONTE DO RIO KWAI (1957)

Publicado por admin em seg, 10/02/2017 - 11:59
Trilha sonora do filme A Ponte do Rio Kwai composta por Malcolm Arnold

A PONTE DO RIO KWAI é uma produção cinematográfica fantástica dirigida pelo cineasta inglês David Lean. A música, agraciada com o Óscar de melhor trilha original, foi composta pelo inglês Malcolm Arnold. A marcha assoviada por todo o pelotão inglês feito prisioneiros pelos japoneses foi composta em 1914 pelo compositor inglês F. J. Ricketts e que usou o pseudônimo de Kenneth Alford. A marcha intitulada “The Colonel Boogey March” acabou adaptada por Malcolm Arnold e praticamente foi incorporada como sendo originalmente composta para o filme. O que seria apenas uma música de passagem, praticamente se transformou em tema principal. A Overture composta por Arnold desempenha um papel preponderante no sentido de sustentar o clima de emoção do filme. Com uma sólida formação erudita, Arnold deixa nitidamente transparecer, através dos acordes da trilha sonora de A PONTE DO RIO KWAI, um trabalho essencialmente sinfônico.

Um vigoroso tema foi composto por Arnold para a cena da construção da ponte. Aliás, a ponte efetivamente foi construída, só que por uma construtora britânica que cobrou 250 mil dólares, sendo que sua destruição no filme levou apenas alguns segundos. A música pontua muito bem o engenhoso trabalho de construção. Já o tema que serve para o momento da explosão da ponte, Arnold resgata seus momentos de compositor erudito que lhe rendeu nove sinfonias. Impossível não se lembrar da sinfonia Nº 3 de Arnold, ao ouvir a trilha de A PONTE DO RIO KWAI.

A música de epílogo tem contornos de uma marcha, esta totalmente inspirada no tema principal, não guardando nenhuma semelhança com aquela assoviada pelo pelotão inglês. Malcolm Arnold, com seu trabalho para o filme, reviveu seus tempos de trompetista.

Malcolm Arnold nasceu na cidade inglesa de Nothampton no dia 21 de outubro de 1921. Faleceu no dia 23 de setembro de 2006, às vésperas de completar 85 anos, de insuficiência respiratória. Foram 132 trilhas compostas para o cinema. Uma carreira de compositor erudito que reuniu nove sinfonias, sete balés, duas óperas e vinte concertos, dois quartetos para cordas. Um compositor que, não por acaso, foi considerado como um dos grandes expoentes da música do século XX. A sua trajetória de músico começou em 1941, na condição de trompetista da Orquestra Filarmônica de Londres. Durante o ano de 2006, foram prestadas várias homenagens ao compositor que chegava aos 85 anos.

O compositor foi agraciado com vários títulos como Doutor Honoris Causas das universidades inglesas de Exeter, Durham e de Leicester. Também nos Estados Unidos, ele mereceu a mesma honraria por intermédio das Universidades de Miami, Oxford e Ohio. Em 1983, Arnold recebeu da Academia Real de Música de Londres um título especial de honra como companheiro da instituição. Em 1985, continuando a ser premiado pelo conjunto da sua realização em prol da música, ganhou o Wavendon Award, prêmio importante pelos proeminentes serviços em prol da música.

As principais trilhas compostas por Arnold para o cinema foram SEM BARREIRAS NO CÉU (1952), PAPAI É DO CONTRA (1954), RAÍZES DO CÉU (1958), A MORADA DA SEXTA FELICIDADE (1958), O VENTO TAMBÉM TEM SEGREDOS (1961) e DAVID COPPERFIELD (1969), além de outras.

Malcolm Arnold com suas raízes eruditas ofereceu bons frutos à música no cinema. NINE HOURS TO RAMA (1963) filme de Mark Robson com Horst Buchholz, José Ferrer, Robert Morley tem música vigorosa de Malcolm Arnold que precede as nove horas da morte de Mahatma Gandi. Uma trilha tensa que nos remete à Índia. Malcolm usa cítaras com maestria e deixa a música permear cada cena com exatidão de um matemático.