CIDADÃO ILUSTRE.(2016)

Publicado por admin em qui, 10/19/2017 - 17:37
Melhor filme e melhor ator no Festival de Veneza em 2016.

Este é o título do filme do cineasta argentino Gastón Duprat, de quem tive a oportunidade de assistir O Homem do Lado (2009) e Querida Vou Comprar Cigarros e Já Volto (2011). O filme Cidadão Ilustre foi premiado em Veneza no ano passado e representou a Argentina no Oscar deste ano. A temática tratada no filme nos remete a pensar sobre o que permeia o imaginário de uma ilustre personalidade. Segundo, o que o reconhecimento do mérito pode significar para esse ilustre cidadão. Finalmente qual a relação que um cidadão ilustre com as suas origens. Esses questionamentos praticamente são apresentados no filme com o foco no ilustre cidadão Daniel Mantovani  interpretado magnificamente  pelo ator Oscar Martinez. Trata-se de um escritor que ao receber o Premio Nobel de Literatura, procura deixar claro suas convicções sobre o sentido desse reconhecimento. Segundo ele, o premio seria a demonstração do declínio do artista, com o fim da sua aventura criativa. No entanto, não é isso que ocorre, pois o escritor ao receber o convite do prefeito da sua cidade natal, resolve aceitar e o reencontro com as suas raízes e um velho adágio popular se coloca no eixo da narrativa: “Ninguém é profeta em sua terra!” O escritor se depara na sua cidade natal Salas, em período pós peronismo, com situações rigorosamente imprevisíveis a começar com um acesso de populismo do prefeito.  Depois com a existência de uma espécie de “maffia” local, onde começam a aflorar ressentimentos quanto ao fato do escritor em sua obra, ter desnudado e ridicularizado alguns personagens que de fictício apenas na imaginação do escritor.

Mas o filme instiga a pensar um pouco sobre a questão da idolatria e fama. Quanto a idolatria o grande perigo está na perda da capacidade de estabelecer o tênue limite entre aquilo que é humano e o que é objeto de consumo. Quanto a fama o grande perigo está no descompasso entre a personalidade que pelo seu talento merece a fama, com aquela cuja personalidade acaba não resistindo.

Nos últimos anos, a própria Argentina foi pródiga em revelar personalidades que estimularam idolatria e fama, como o caso de Peron, Maradona, Messi e mais recentemente o Papa Francisco.

Mas o artista muitas vezes tem que revelar uma capacidade de ser questionador e até perturbador, só que isso contrasta muitas vezes com o próprio espírito da arte, como afirma o escritor Daniel Mantovani, personagem central e o insubmisso Cidadão Ilustre.

Quanto a trilha sonora esta foi confiada ao compositor catalão Toni M. Mir que iniciou sua trajetória através de curtas em 202 e já soma 18 trilhas compostas. Sua trilha de acompanhamento, assume em determinados momentos um tom premonitório nos preparando para o que vem a seguir.

A moral do filme mostra que só quem tem fama pode ser difamado!