TAXI DRIVER (1976)

Publicado por admin em ter, 10/03/2017 - 09:37
Trilha sonora original do filme Taxi Driver composta por Bernard Herrmann

Um motorista de taxi (Robert De Niro) circulando pelas ruas de Nova Iorque, gradativamente vai rompendo a fronteira da normalidade chegando à loucura e tentando assassinar um possível impostor. O filme TAXI DRIVER serviu para marcar a estreia de Jodie Foster no cinema e ela o fez com o pé direito, pois foi indicada ao Óscar de melhor atriz coadjuvante, além de ter faturado o Bafta de Londres e o David Donatello da Itália.

O cineasta Martin Scorsese reconheceu que no filme aconteceram algumas improvisações, o que dificulta a vida do diretor. Por outro lado, também é difícil dirigir alguém que esteja marcando sua estreia, como no caso de Jodie Foster. Por outro lado, nada disso se equipara à dificuldade que o cineasta Martin Scorsese teve quanto a convencer o compositor Bernard Herrmann a aceitar o convite para compor a música de TAXI DRIVER. A primeira reação de Herrmann, quando recebeu o convite, foi de se negar a fazer música para um filme de motorista de táxi. Mas, o cineasta Scorsese estava determinado a contar com Herrmann para fazer a música do seu filme, principalmente pelo fato de que alguns planos utilizados por Hitchcock em O HOMEM ERRADO seriam usados em TAXI DRIVER. Scorsese também ficou impressionado com o estilo diferenciado que Herrmann usou para a trilha sonora do filme. Bernard Herrmann acabou aceitando o convite e compôs o seu último trabalho para o cinema, isso pelo fato de que ele veio a falecer de um fulminante ataque cardíaco justamente no dia em que terminou a música de TAXI DRIVER, dia 24 de dezembro de 1975.

Pra quem fez música sob medida para Normam Bates em PSICOSE, compor uma música que se adaptasse ao padrão psicológico do personagem Travis, o motorista de TAXI DRIVER, não era tarefa das mais difíceis. Herrmann teve o desafio de reproduzir melodicamente o tormento mental de um ex-combatente do Vietnã que, de uma hora para outra, resolve limpar a cidade da sujeira social e étnica que ela apresenta aos olhos de quem vira a noite circulando pelas ruas.

Ao mesmo tempo em que traz notas dissonantes na trilha, Herrmann, nesse trabalho, usa a melodia de uma forma incomparável. Com nítida inclinação jazzística, estilo inconfundível com música de densidade verdadeiramente extraordinária, tudo isso é que faz da trilha de TAXI DRIVER o coroamento de uma carreira notável. Herrmann nunca abriu mão de suas convicções, nem cedeu num terreno em que se julgava absoluto, por tudo isso era ao mesmo tempo genioso e genial.

Na trilha sonora original de TAXI DRIVER, com sua morte, o trabalho de arranjo ficou com Dave Blume. O tema principal tem um sonoro solo de sax executado soberbamente por Tom Scott.

Bernard Herrmann foi um compositor com enorme capacidade de se expressar musicalmente e transferir para o espectador o estado de espírito capaz de despertar as suas emoções e com isso reforçar o impacto das cenas. A música no cinema deve muito ao compositor Bernard Herrmann.

 Ele foi um compositor de forte influência erudita, detentor de um estilo inconfundível, que muitas vezes o fazia ser visto como pouco comercial por parte dos produtores de Hollywood. Aliás, ao longo de toda sua carreira, ele se mostrou totalmente insubmisso ao esquema que prevalecia em Hollywood, por isso foi preterido em muitos trabalhos. Herrmann começou a impressionar pelo que foi capaz de mostrar em seu trabalho para o filme de Orson Welles, CIDADÃO KANE.

Foram 35 anos de carreira como compositor de trilhas, compondo para 78 filmes. O importante para Herrmann não era quantidade, mas sim qualidade, a cada trabalho ele analisava o roteiro, como se fosse o ator do papel principal, pelo fato de que sabia onde iria colocar a sua música. Temperamento forte e, às vezes, com o estopim curto, não abria mão das suas convicções. Não foram poucos os compositores que admitiram, ao longo do tempo, terem tido influência no estilo vigoroso, rompante por vezes melodioso e insinuante de uma música que serviu para atestar toda sua genialidade e talento.

O rompimento com o cineasta Alfred Hitchcock, por ocasião da rejeição da trilha de CORTINA RASGADA (1966), determinou enorme rasgo tanto na carreira de Bernard Herrmann quanto do mestre do suspense. Uma parceria que durou dez anos, rendendo oito trilhas soberbas.

O caráter premonitório que a música de Herrmann assumia em várias produções dos mais distintos gêneros, uma capacidade extraordinária no sentido de preparar o espectador para as emoções que estavam por acontecer.

O compositor Bernard Herrmann já foi muito estudado e sua obra extremamente explorada, contudo, ainda falta explorar a sua potencialidade de compositor erudito. Fica o registro para uma de suas primorosas composições, que foi para a Ópera em quatro atos, O MORRO DOS VENTOS UIVANTES, da obra de Emily Brontë. Essa composição de Bernard Herrmann condensa todo o seu potencial criativo tanto em termos de expressão vocal como instrumental.

Esta relíquia musical foi lançada em 1972 pela Unicorn-Kanchana Records de Londres com a participação da Pro Arte Orchestra, regida pelo próprio Bernard Herrmann.

A sua música desperta em nós as imagens dos filmes, mas, sobretudo, provoca um sopro divinal que nos permite viajar no tempo e no espaço.