A ECONOMIA DO AMOR (2016).

Publicado por admin em qui, 11/02/2017 - 10:38
Boris, o marido desempregado não desocupa a casa enquanto não for indenizado pela esposa  Marie.

O cinema tem sido pródigo quanto a mostrar filmes que reproduzem a incompatibilidade de casais desde comédias como Separados pelo Casamento ou então drama mais denso como Kramer x Kramer. Quando assistimos a um filme, dependendo do enrêdo, ele acaba estimulando o nosso instinto voyeurístico, aquele de espiar tudo que acontece numa casa. A própria câmera de filmar tem um aspecto voyeurístico muito forte, procurando revelar tudo a partir do ângulo de observação. Poderia citar dezenas de produções que mostraram esse instinto de voyeur como Janela Indiscreta, Tocaia, Morando com o Perigo, Atlantic City, Alguém Me Vigia e tantos outros.

O cineasta belga Joachim Lafosse preferiu contar a historia de um casal que continua junto até a situação financeira permitir a separação. Boris, o marido desempregado não desocupa a casa enquanto não for indenizado por Marie, a esposa, mas esta só terá o dinheiro com a venda da propriedade. Enquanto isso, o casal cuida de duas filhas gêmeas que assumem papeis de espectadoras dos desentendimentos dos pais. A narrativa impõe ao espectador inúmeras situações que caracterizam esse ambiente contaminado de uma relação irremediavelmente rompida. O filme é estrelado por Berenice Bejo, artista argentina radicada na França que se notabilizou pelo papel no filme O Artista e ainda uma atuação irretocável de Cedric Khan. A forma como é contada a história, o espectador vai se identificar com aquilo que está presenciando. Além disso quando o filme traz como assunto o ambiente familiar, com diálogos rigorosamente fieis a uma realidade, isso permite que o espectador se coloque dentro da tela.

Quanto ao restrito espaço que a música tem no filme, ela mostra o seu poder mágico e às vezes terapêutico. Quando comecei no rádio, fazia um programa noturno chamado Músicas Para o Seu Devaneio. Pedi então a Dona Nina, minha querida mãe, afeita a poemas e frases, que criasse uma para ilustrar o programa e foi então que ela saiu com essa: "a música é a fuga para os nossos tormentos, ouvindo música você se transporta para o paraíso dos sonhos e sua alma recebe o bálsamo da vida". No filme, como mostra o próprio cartaz do filme,uma das filhas do casal, Jade, liga o rádio que toca uma música envolvente e convidativa para a dança. De repente as duas filhas gêmeas e o casal estão contagiados e se deixam embalar pelo ritmo e como num passe de mágica a música exerce um papel pacificador e terapêutico. Boris até surpreende, sugerindo que o casal faça uma terapia, mas Marie logo pergunta com que dinheiro e quem iria pagar.

O filme se chama A Economia do Amor, mas na realidade trata muito mais do patrimônio, do que do matrimonio!