O OFICIAL E O ESPIÃO

Publicado por admin em dom, 04/12/2020 - 20:29
O OFICIAL E O ESPIÃO é um filme que se por um lado, serviria para que Polanski retomasse o prestígio de um importante diretor, mas que parte da mídia tentou enxergar o cineasta como se ele estivesse se sentindo como um Alfred Dreyfus, diante das acusações de estupro que sofre desde os anos setenta.

Este é o novo filme do cineasta Roman Polanski que também assina o roteiro, baseado no livro do jornalista e escritor inglês Robert Harris, que já havia trabalhado com o diretor em O Escritor Fantasma. Em 05 de janeiro de 1895 o judeu e Capitão Alfred Dreyfus foi injustamente acusado de espionagem pelo exército e sua punição foi uma humilhante cerimônia  com o despojamento do seu uniforme, seguido de uma degradação para cumprir pena de prisão perpétua na temida Ilha do Diabo. Mas, o Coronel Picquart tem acesso a uma série de documentos que levantam suspeitas de que Dreyfus pode ter sido vítima de um erro judiciário. Como a alta cúpula do exército tinha receio de reabrir o caso e a verdade vir à tona, o melhor a fazer foi prender o Coronel. Este o esboço do rumoroso escândalo que ficou conhecido com “o caso Dreyfus” e que resultou da notável obra de Emile Zola J’Accuse ( Eu Acuso), que aliás é o titulo original do filme. O elenco tem Jean Dujardin no papel do Coronel Picquart, Louis Garrel interpreta Alfred Dreyfus e a esposa de Polanski a atriz Emmanuelle Seigner está no papel de Pauline Monnier, a amante do Coronel. Até o diretor Polanski faz uma ponta no filme, ao melhor estilo Hitchcock, aparecendo como espectador num concerto de piano que executa a obra O Cisne de Camile Saint-Säens. A trilha sonora de Alexandre Desplat leva exatamente 32 minutos até surgir temperando as cenas, mas de forma rigorosamente marginal, cedendo todos os méritos para a eletrizante história. O caso Dreyfus acabou revoltando a França, que na época experimentava uma certa estabilidade política, já que a população tinha as Forças Armadas, como uma legítima e proba guardiã da Segurança Nacional. Mas foi esse excesso de confiança da população que alimentou os militares a guardar com sete chaves segredos estratégicos, tudo isso aliado a uma febre anti-semita dos jornais. Com isso, ninguém estranhou as irregularidades do processo e muito menos as arbitrariedades da corte marcial que violava regulamentos. Um filme que se por um lado, serviria para que Polanski retomasse o prestígio de um importante diretor, mas que parte da mídia tentou enxergar o cineasta como se ele estivesse se sentindo como um Alfred Dreyfus, diante das acusações de estupro que sofre desde os anos setenta. É preciso lembrar que a imprensa desde O BEBÊ DE ROSEMARY de 1968,  sempre apresenta desconfiança sobre o que estaria por trás dos filmes de Polanski. Apenas para resgatar os fatos, Polanski depois do filme O Bebê de Rosemary foi acusado de ter simpatia por seitas satânicas. No ano seguinte,1969, foi justamente um satanista que assassinou sua esposa a atriz Sharon Tate. Polanski por tudo isso, chegou a dizer que vivemos um tempo estranho, onde percebe uma total inversão de ideologia entre a sua juventude e a sua terceira idade. Mas analisando a sua filmografia o vejo como um bom vinho, agora mais maduro, sua obra se mostra mais consistente. No arquivo de áudio você poderá ouvir a trilha sonora original de Alexandre Desplat.