O CASO RICHARD JEWELL

Publicado por admin em qui, 01/09/2020 - 15:08
Os danos dessa “Fake News” atingiram Richard Jewell, sua mãe Bobi, seus amigos e até a jornalista Kathy,  responsável por difundir a falsa informação. O filme mostra o quanto uma notícia falsa, pode fazer com que órgãos como o FBI, tentem construir uma narrativa que pudesse combinar com uma imagem que não existia.

Nos filmes de Clint Eastwood em início de carreira, sempre observamos um contraponto entre o ritmo das ações na tela e sua fala sempre pausada, seja como o cowboy Josey Welles ou o policial Dirty Harry. No ano em que vai completar 90 anos, os filmes de Clint Eastwood estão agora perfeitamente alinhados com a sua fala pausada. O ritmo das narrativas, obedecem rigorosamente ao ponto de vista do diretor. Foi assim no filme A MULA e agora no mais recente trabalho de Eastwood, O CASO RICHARD JEWELL. Clint Eastwood sempre se mostrou um obcecado por boas histórias, nesse sentido o caso envolvendo a figura de Richard Jewell, acabou estimulando a fazer um filme. Trata-se de mais um daqueles casos, em que um sujeito que tinha tudo para ser reconhecido como herói, ao salvar várias vidas, de repente, se transforma em suspeito de ter explodido uma bomba que matou e feriu várias pessoas. É um caso real que ocorreu justamente, durante a realização das Olimpíadas de Atlanta, no Estados Unidos em 1996. Richard Jewell é aquele tipo de pessoa, que na infância, deve ter sido vítima de bullying, não só pelo tipo físico, mas sobretudo pela ingenuidade ao encarar determinadas situações. Apesar dos fatos relacionados à figura de Richard Jewell terem ocorrido em 1996, mesmo que o termo Fake News, não fosse difundido à época, mas na realidade o que o levou a ser considerado suspeito de ter explodido a bomba, foi justamente a partir de uma notícia falsa. Os danos dessa “Fake News” atingiram Richard Jewell, sua mãe Bobi, seus amigos e até a jornalista Kathy,  responsável por difundir a falsa informação. O filme mostra o quanto uma notícia falsa, pode fazer com que órgãos como o FBI, tentem construir uma narrativa que pudesse combinar com uma imagem que não existia. O ator Paul Walter Hauser, interpreta de forma impecável o papel de Richard Jewell, pena que a atriz Kathy Bates, no papel da mãe, não tenha sido mais bem explorada pelo seu enorme talento. O advogado de defesa de Richard foi interpretado por Sam Rockwell, que por ocasião do filme TRÊS ANÚNCIOS DE UM CRIME, já tenha justificado pela sua atuação, o Oscar de melhor ator coadjuvante. A trilha sonora de O CASO RICHARD JEWELL, foi composta pelo cubano Arturo Sandoval, que trabalhou com Eastwood em A MULA. Desta forma fazendo prevalecer a máxima de que time que está ganhando não se mexe, assim como ao longo da filmografia de Clint tivemos nomes importantes da música no cinema como Jerry Fielding, Lalo Schifrin e Lennie Niehaus. Clint Eastwood vai completar em maio, 90 anos, pelo jeito ainda tem muitas histórias para contar, mesmo que ele continue por trás das câmeras. Como frisei, seus filmes hoje obedecem ao ritmo da fala pausada do Clint dos anos 60,70 e 80, no entanto, o enredo dos seus filmes é que continua despertando a curiosidade, que supera qualquer outro componente do filme, por isso, esse fator tem sido decisivo na hora do espectador escolher o filme para assistir.