24 SEMANAS (2016).

Publicado por admin em sab, 12/09/2017 - 14:19
Seguramente, a cineasta Anne Zohra Berrached neste seu segundo longa metragem, propondo a exemplo do primeiro, questões polemicas para serem abordadas, demonstra acima de tudo a sua extrema coragem e não se importando muito com eventuais impactos que o filme possa ensejar. A cineasta faturou o premio de melhor direção no Festival de Berlim no ano passado.

O cinema alemão está sempre nos surpreendendo com gratas revelações, eis que desponta com grande talento uma cineasta de 35 anos  Anne Zohra Berrached. No primeiro longa que dirigiu “Duas Mulheres” ela conta a história de Katia e Isabela que vivem juntas e decidem ter um filho. Na procura de clinicas de fertilidade elas acabam esbarrando na rígida legislação alemã. Já no seu segundo longa intitulado “24 SEMANAS” ela conta a história de Astrid Lorenz, uma comediante de “stand up” que fica grávida de um menino com Síndrome de Down. Decidida ter o filho, procura conhecer a realidade do universo das crianças com Síndrome de Down frequentando grupos de crianças especiais. Numa das consultas, Astrid recebe uma notícia impactante, dando conta de que o feto apresentava anormalidade no coração com duas cavidades que deveriam ser corrigidas mediante procedimento cirúrgico extremamente complexo. Astrid a partir desse momento começa a levantar dúvidas quanto a intenção de ter essa criança. Na Alemanha o aborto é proibido, no entanto existem exceções, principalmente quando a mulher não se sente capaz ela tem o direito até do chamado aborto tardio que é feito até com 24 semanas de gravidez.

O filme consegue reproduzir um clima de absoluta realidade, principalmente pelo fato de que na fase de pré-produção, a cineasta Anne Zohra Berrached teve um encontro com três casais que passaram pela situação narrada no filme, uma das mulheres abortou na 34a semana de gravidez.

O filme além de abordar aspectos que passam por preceitos, éticos, legais e comportamentais, também esbarra no âmbito do preconceito que permeia o imaginário da sociedade, quanto ao fato, por exemplo a questão da Síndrome de Down.

Seguramente, a cineasta Anne Zohra Berrached neste seu segundo longa metragem, propondo a exemplo do primeiro, questões polemicas para serem abordadas, demonstra acima de tudo a sua extrema coragem e não se importando muito com eventuais impactos que o filme possa ensejar. A cineasta faturou o premio de melhor direção no Festival de Berlim no ano passado.

A compositora Jasmin Reuter teve a oportunidade de produzir uma trilha sonora para o seu segundo longa metragem, ela que iniciou sua trajetória no cinema em 2007. Sua trilha intimista quase não é percebida pelo público, pois entende o quanto as cenas devem ficar com todos os méritos, cabendo a música apenas cumpris um discreto papel de acompanhamento quando é instada.