A MISSÃO DE ENNIO MORRICONE

Publicado por admin em dom, 11/04/2018 - 10:27
Morricone pesquisou a época do filme, quanto as músicas étnicas que poderiam de certa forma, combinar com o ambiente da produção. A experimentação de Morricone começa a aflorar a partir do instrumento âncora do filme que era o oboé. Assim sendo surge o oboé sozinho, depois o coro associado a música étnica, sendo que no final na cena do martírio, Morricone junta os três elementos.

No dia 17 de maio de 2015 ao participar do evento Festival da Religião em Florença na Itália, Ennio Morricone falando para uma seleta plateia contou de que forma coube a ele a tarefa de produzir a trilha sonora para o filme de 1986, A MISSÃO. Foi o produtor italiano Fernando Ghia quem convidou Morricone para que assumisse a trilha sonora do filme A MISSÃO. Vale dizer, que o compositor inicialmente cotado para compor a trilha sonora do filme era Leonard Bernstein, fato este que Morricone só veio tomar conhecimento, muito depois de ter concluído o seu trabalho. A princípio Morricone relutou em aceitar o convite, mas depois de assistir o copião do filme, percebeu que estava diante dele um interessante desafio profissional. A história do filme, ambientado no ano de 1750, mostra os conflitos entre a Coroa Espanhola, o Vaticano e os jesuítas que acabaram expulsos de uma região da América do Sul, conhecida como Sete Povos das Missões. A região disputada, acaba se tornando uma possessão portuguesa. O filme mostra então como que um mercador de escravos acaba se transformando num defensor dos índios, desafiando os colonos contrariando os interesses das Coroas Ibéricas. Coube aos jesuítas catequizar os índios num projeto que se intitulava Sacro Experimento. Dentre os jesuítas, havia um deles, chamado Gabriel que tocava oboé. O instrumento acabou se transformando num importante elo de ligação, a partir do instante que o religioso ensinava aos índios a arte da música.

Toda essa atmosfera do filme, foi extremamente inspiradora, no sentido de que Ennio Morricone pudesse propiciar uma fusão, que em outras circunstâncias, seria absolutamente impossível. Primeiramente o grande dilema de Morricone quanto as regras que cerceavam qualquer iniciativa de tocar música numa igreja, que pudesse ser confundida com o que seria considerado profano. Morricone pesquisou a época do filme, quanto as músicas étnicas que poderiam de certa forma, combinar com o ambiente da produção. A experimentação de Morricone começa a aflorar a partir do instrumento âncora do filme que era o oboé. Assim sendo surge o oboé sozinho, depois o coro associado a música étnica, sendo que no final na cena do martírio, Morricone junta os três elementos. Esta foi uma questão que intrigou o próprio Morricone, pois de repente ele se viu diante de uma missão quase impossível de associar elementos tão distintos e que contribuíram para oferecer uma beleza que tem sido reconhecida pelo imenso público que comparece aos concertos de Il Maestro Ennio Morricone.