Este é o título do novo filme do cineasta napolitano Paolo Sorrentino. Em 2019, o presidente italiano Sergio Mattarella, um democrata cristão, se viu diante de um profundo dilema, quando concedeu um indulto polêmico para dois homens que assassinaram suas esposas, com a mesma alegação de pôr um fim no sofrimento delas, já que ambas foram acometidas do Mal de Alzheimer. A justificativa da autoridade italiana para a concessão do indulto partiu da premissa da compaixão. No filme de Sorrentino, o presidente da República, interpretado por Toni Servillo, enfrenta dilemas morais, quando de repente se vê diante de um decreto que institui a eutanásia. Sua filha Dorothea, jurista competente, foi responsável pela elaboração do projeto, que agora o pai deve decidir se assina ou não. A partir desse momento, duas perguntas permeiam o imaginário do presidente: até que ponto um homem, além do direito de viver, tem o direito de morrer? Outra pergunta é se a privação da vida por razões de misericórdia seria um crime ou um ato impunível? Considerando o presidente, um homem religioso, que goza da amizade do Papa, isso coloca a religiosidade como um dos fatores críticos associados à sua oposição à eutanásia. No fio condutor dessa história, ainda outra questão do amor sem medida do presidente pela esposa morta. Com todos esses ingredientes, o cineasta Paolo Sorrentino construiu sua obra-prima que lhe permitiu ganhar o ambicionado Leão de Ouro do Festival de Veneza. As duas horas e doze minutos do filme são permeadas de uma doce ironia, enquanto o presidente tenta desmontar os seus próprios preconceitos.A GRAÇA, a nossa dica cinematográfica disponível na plataforma Mubi. Para acompanhar o filme, em homenagem ao cineasta, você pode escolher qualquer vinho da região da Campanha, pois lá são produzidos vinhos identificados como os Barolos do Sul.